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Diário de uma Pandemia

Diário de uma Pandemia

Março 22, 2020

Paulo Pinto

Dia 9. É domingo, 22 de março. 1600 casos, 14 mortos. Dia atípico - se é que tal coisa é possível - com pouca atenção às redes sociais e às notícias. Algo que se repetirá certamente, porque o cansaço e o anestesiamento são inevitáveis perante a monotonia das informações. Os media repetem e repetem conselhos e recomendações, e para quem já as absorveu, o interesse decai rapidamente.

Mas hoje foi um dia atípico por outro motivo, e diametralmente oposto. O meu filho lá chegou do Dubai, após algum nervosismo e inquietação - meus, claro. Voou via British Airways para Londres, com uma inesperada surpresa: o bilhete economy premium deu direito a viagem em Business Class. Para um voo de 8 horas, é algo muito bem-vindo. Impossível fazer check-in online, seguiu para o aeroporto com várias horas de antecedência, mas os temores eram infundados: aeroporto vazio, check-in rápido, embarque sem atrasos. Chegada a Heathrow, espera de várias horas e voo TAP. A nossa companhia, além dos preços exagerados - nem havia overbooking, viajou sem ninguém ao lado - cobrou 13 £ no check-in online e, depois, mais 40 £ por excesso de bagagem. No final, o preço da viagem Londres-Lisboa (em Economy básico, sem direito a uma bolacha sequer) ficou mais caro que o voo Dubai-Londres, upgraded em Business. Ironias.

Fui buscá-lo ao aeroporto, pelas 21 h. Passei o IC 19 e a 2ª Circular praticamente vazias. Até a "rotunda do relógio" estava deserta, coisa espantosa. Já o resto foi igualmente estranho, e pela negativa. Acessos ao aeroporto vazios. Entro no parque subterrâneo, que está aberto. Quase vazio. Estaciono - sempre aquela estranheza e dificuldade em escolher um lugar num parque deserto - mas quando me dirijo aos acessos, estão encerrados. Saio a pé pelo acesso automóvel, contorno tudo e dirijo-me à "Partidas". Não me deixam entrar. E ninguém me explica porque é que, se o acesso do parque ao interior está encerrado, não o fecham. Pagar um parque que não funciona. Regresso ao parque, saio com o carro e dirijo-me - seguindo as indicações - às "Chegadas". Praça de táxi vazia, umas poucas pessoas. E encontrar o meu filho? Lá dentro, mandaram-no sair pelas "Partidas" onde eu estive uns minutos antes e eu à espera no outro lado, depois de dar voltas e de pagar inutilmente um estacionamento. Haja saúde, haja paciência.

Tenho uma familiar em Jakarta, em Erasmus. Decidiu esperar, por recomendação da embaixada. Desaconselho vivamente essa possibilidade, porque ao meu filho, depois de a Emirates cancelar as ligações para Lisboa, recomendaram, por duas vezes, que apanhasse um avião para Luanda. Há novidades e restrições todos os dias, e todas no mesmo sentido. Hoje é difícil regressar, amanhã  será penoso, depois de amanhã, quem sabe como será. Deduzo que quando a pandemia chegar em força à Indonésia, será muito mais difícil ela sair de lá.

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