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Diário de uma Pandemia

Diário de uma Pandemia

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Março 31, 2020

Paulo Pinto

31 de março, dia 18. 7443 casos confirmados, 160 mortes. Hoje fui às compras ao supermercado mais próximo, o habitual. Longa fila à porta, meia hora de espera. Lá dentro, todos assumem o "novo normal", o afastamento, a distância. Os novos mais, os velhos menos. No balcão das reclamações troco impressões com a responsável, está muito tranquila, diz que as entradas controladas lhe trazem dias de sossego, num posto habitualmente confrontado com reclamações e larga afluência de utentes. Nem se apercebe da longa fila exterior. Não há roturas no abastecimento e a melhor hora, diz-me, é ao fim do dia. Da próxima, já sei.

Acabo por não dedicar atenção ao artigo sobre o alegado texto português do século XVI. Falta-me a paciência para ir esgravatar numa curiosidade destas. Com tanto sobressalto, apreensão e rodopio de informações, a quem interessa tal minudência?

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Março 30, 2020

Paulo Pinto

17º dia, 30 de março. 6408 casos confirmados, 140 mortos. É segunda-feira, mas podia ser outro dia qualquer. Parecem todos iguais. O regresso da chuva e do frio, depois de uns dias de sol, piora a sensação outonal. Amanhã é dia de compras, que o frigorífico e a despensa esvaziam-se depressa, com 4 pessoas em casa, todos adultos. Ontem foi dia de voltar aos grelhados no carvão (peixe grelhado e pão com alho), mas hoje não deu. Já ao fim do dia deparo-me com uma peça no "notícias ao minuto" e no site da Sábado sobre um texto português do século XVI que fala, alegadamente, da quarentena como forma de conter uma epidemia. Desconfio, cheira-me a esturro (isto é, de uma história mal contada). Vou ver a fonte. Ora pois, não menciona quarentena nenhuma. O mais interessante é que serviu de base a um texto científico em 2007, publicado numa revista médica australiana (a que não tenho acesso). Que treta. Amanhã vejo melhor isto.

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Março 29, 2020

Paulo Pinto

Dia 16, domingo, 29 de março. 5962 casos confirmados, 119 mortos. A notícia do dia é a da morte de um jovem de 14 anos, que gera dúvidas e interrogações. Pelo que percebo, tinha psoríase - logo, sistema imunitário debilitado - e não é certo que tenha morrido por causa do vírus. De resto, continua a vertigem dos números. O "Re-pug-nan-te" do primeiro-ministro acerca das declarações do ministro holandês continua a fazer furor, sobretudo em Espanha. No Brasil, a irresponsabilidade do presidente atinge novos máximos. Agora foi o twitter que apagou os seus vídeos, por contrariarem as recomendações sanitárias básicas. Há desfiles de gente - abastada - nos automóveis a apoiar o presidente e a apelar às pessoas para irem trabalhar. Vejo uma imagem de um a quem atiraram bosta de cavalo. Que país surreal.

Começo a ter dúvidas sobre este blog. Parece inútil e sem sentido, afinal, não escrevo nada de original e torna-se penoso escrever banalidades. Aliás, escrevo na manhã do dia seguinte, à noite fico verdadeiramente bloqueado e incapaz de escrevinhar duas linhas. De início parecia boa ideia e senti algum entusiasmo em voltar à blogosfera após anos de inatividade. Escrever de forma ponderada e sem aquela volatilidade das redes. E falo do FB, que twitter, então, é demasiado fugaz para mim. Mas agora constato o oposto. No FB há "reação", ainda que não passe de um "like" de duas  pessoas. Aqui,  não. Mas,  afinal, o objetivo é mesmo esse. Penso, embora sem grande sucesso, no que será importante registar. Dados? impressões pessoais? Quem sabe? E ocorre-me a irritação - tão recorrente - ao ler documentação portuguesa da Ásia do século XVI. Tanto papel e tinta gastos em informação inútil, 500 anos depois. Um só homem daqueles podia ter registado pormenores da vida social, económica,  política, de costumes, de tanta coisa que ignoramos hoje. Há dias estive a ver o arquivo digital da Cinemateca. Registos de Sintra do início do século XX. Dececionantes, mostram o Palácio e umas futilidades, uns emproados de cartola e paisagens, coisas que quase podiam ter sido filmadas há 100, 50 ou 10 anos. Era o que se achava importante à data. As imagens mais interessantes de ver hoje, porém ocasionais e fugazes, são as dos populares que passam em segundo plano, ao fundo, nas ruas, e que olham pasmados para a câmara. Saloios e saloias.

Onde estão os saloios e saloias desta pandemia?

Março 28, 2020

Paulo Pinto

Dia 15, 28 de março. Hesito em ir à procura dos números, mas lá encontro: 5170, 100. O Correio da Manhã, sempre à frente do acontecimento,  adianta-se e já antevê 1000 mortos, sabe-se lá quando. Eu acho que peca por defeito, tudo depende do "quando". A notícia do dia foi o alegado engarrafamento na ponte 25 de abril. Correram informações, indignações e insultos acerca da inconsciência de tanta gente que se meteu a caminho do Algarve, para "apanhar sol". Um boneco do Pedro Vieira, com a ponte congestionada por uma fila de burros, fez furor. Afinal, a coisa não foi bem assim. Havia engarrafamento porque a polícia estava a mandar parar os carros um por um para averiguar os motivos de cada utente. Acredito que parte das pessoas estivesse de facto a aproveitar o embalo da Páscoa para sair, mas não parece ter sido a maioria. Impressiona-me a forma como se difundem meias-verdades e, sobretudo, como se multiplica a carga de fel. Li um post no FB, aparentemente de un enfermeiro (e partilhado por muita gente) a insultar toda "aquela gente". Estamos todos de nervos em franja. Esta situação amplifica o que sentimos: ou batemos palmas aos médicos às 10 da noite (vi agora que falei nisto num dos posts iniciais, e que me pareceu prematuro) e achamos que somos os melhores, os mais solidários e os mais humanos e esforçados, ou cuspimos bílis para cima de toda a gente. O pior é que fazemos tudo ao mesmo tempo, somos simultaneamente os melhores e os piores. Hmm, não: "nós" (a minha família, o meu clube, o meu partido, as pessoas com quem simpatizo, os "meus") são os melhores, o resto é merda de gente estúpida, mesquinha e corrupta que afunda este país. "Vergonha", a palavra-chave deste complexo que não sei bem como designar. Os portugueses são simultaneamente os mais envergonhados a denunciar a desvergonha alheia. Mas há sempre coisas risíveis, como o TV Ninja a anunciar a guerra civil e a apelar à desobediância à GNR "que têm a mania que são polícias". Eu ri-me, mas nunca se sabe o que passa pela cabeça das pessoas. E um post interessante, espero que irónico - já o perdi - de alguém indignado porque o acesso à Praia da Rocha  está fechado, prova de que "a extrema esquerda está a tomar conta deste país". Se calhar não era irónico, pensando melhor, porque lembro-me que acabava com um "onde está a lei que proíbe ir à praia?".

Hoje muda a hora. O meu filho está a meio da quarentena. O pior é que não vai notar grande diferença quando ela acabar.

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Março 28, 2020

Paulo Pinto

14º dia, 27 de março. 4268 infetados, 76 mortos em Portugal. Os números totais, já lhes perdi a conta. É uma vertigem. A DGS atualizou as previsões, há dias falava-se em 14 de abril como o dia do "pico", hoje já se diz que "não será antes de maio". Há duas semanas, todos críamos que estaríamos mais ou menos aliviados no fim do corrente mês de março. Os horizontes vão-se alargando,  o que aumenta a incerteza e a angústia. Quanto tempo vai durar, quantos serão afetados, quando terminará, que se seguirá depois? Em que estado estaremos, quem terá ainda emprego, como será possível? A notícia do dia é o anúncio de que o PM britânico está infetado. Poucos resistem a dizer - ou a pensar - "bem feita". Ao mesmo tempo, multiplicam-se as informações da mobilização, da  ajuda e da solidariedade. Acetatos para a confeção de máscaras, por exemplo. Descobri que tenho ali 15 folhas, perdidas há muitos anos, do tempo em que não havia powerpoints e que se usavam retroprojetores e transparências para mostrar mapas, toscos, desenhados à mão, em aulas e conferências.

De vez em quando, assaltam-me pensamentos contraditórios, acabando por concluir que "é mau, mas podia ser muito pior". E penso que, se estar confinado é penoso, como classificar o que aconteceu a tanta gente que foi, é e será obrigada a ficar em casa sob bombardeamento, sem abastecimentos nem bens de primeira necessidade, com perigo iminente de vida? Civis sírios, por exemplo. Tantos. Aqueles que levavam uma vida normal e, subitamente, se viram sob fogo do seu próprio governo, com privações extremas, e depois, correndo risco de vida, fugiram da guerra e da miséria absoluta, para acabarem vítimas do abuso e hostilidade de vizinhos e estrangeiros, que os receberam com espoliação, gás lacrimogéneo e violência. Ou hostilidade e indiferença, mandando-os "para a sua terra" por terem uma língua, uma cultura e uma religião diferentes ou mantendo-os meses e meses em campos de detenção, sem solução à vista, ou pagando a um buffer state para os manter afastados das fronteiras europeias. 

Hoje fui ao supermercado e notei diferenças desde a última vez. Menos sorrisos, maior ordem e mais demora. As pessoas fazem fila ordeira no exterior mas continuam a aglomerar-se na secção de peixaria. E algumas, sobretudo idosos, socializam no interior ou falam ao telefone, não percebendo - ou não se incomodando - que há gente que aguarda e que não entra enquanto elas não saírem. Vejo algumas de lenço na boca e quase que não resisto a falar-lhes na inutilidade do ato. Mais do que a inutilidade, a falsa segurança. Depois retomo o trabalho. Felizmente.  

13

Março 26, 2020

Paulo Pinto

Dia 13, 26 de março. 3544 casos, 60 mortes. A guerra à pandemia continua, a análise milimétrica ao significado dos números também. Média de progressão, estrutura etária, distribuição regional, comparação com outros países, abaixo da média X, melhor do que Y, suspeitas de "estatísticas marteladas", PR a assegurar toda a verdade, teorias da conspiração, ansiedade, muita. Toda a gente quer perceber se está a correr mal, se correrá pior, muito pior ou se será uma catástrofe. Denúncias de falta de equipamento apareem a toda a hora, no hospital tal, na tal corporação, aqui e ali. A imprensa informa e especula, como sempre. A mim, irrita-me a estatística puramente malabarista, X casos em todo o mundo, dá tantos por dia, tantos por hora, tantos por minuto. Não serve para nada, apenas mais uma sombra no panorama já excessivamente sombrio. Parece-me que não tardaremos - nós, os que estão seguros em casa sem temer pela vida, pela saúde dos próximos ou pelo emprego - a ficar alheados de todos estes números, dos noticiários que demoraram horas com diretos do lar em Vila Real, do presidente da Câmara ou do comentador. 

Eu já comecei, nem consigo descrever bem o que senti após horas concentrado - finalmente - a trabalhar, uma sensação de produtividade, de utilidade, de "adiantar". Porque a angústia destes dias é agravada pela sensação de passividade e de impotência: não podes fazer nada, não podes ajudar ninguém, não podes apressar isto, não consegues sequer merecer o dinheiro que recebes no fim do mês. E devias, porque tanta gente tem empregos e rendimentos em risco e ansiosa por trabalhar e tu, ó gato gordo privilegiado, que achas que o mundo conspirou para te tramar - como naquela música do Rui Veloso - não dás uma para a caixa. De manhã fui ao pão à mercearia. Não sei se lá volto, por muito que queira contribuir para a sobrevivência do pequeno comércio (na verdade, nunca lá fui tantas vezes como agora). Uma senhora que usa sempre as mesmas luvas (não deve ter outras), com as quais manipula pão, vegetais e notas e moedas não me inspira grande confiança, não sei bem porquê.

Março 25, 2020

Paulo Pinto

Dia 12, 25 de março. Há hoje 2995 casos e 43 mortes. A praga não dá sinais de abrandar. Os números de Itália e de Espanha são muito pouco tranquilizadores. No fundo, ninguém sabe o quê e quando sairemos disto. E a que custo. E o que vem aí. Um acumular de dúvidas e de sombras sobre praticamente tudo. Penso que, de um certo ponto de vista, isto é filet mignon para sociólogos e politólogos. E economistas e antropólogos também. E para historiadores, naturalmente. Uma situação inédita, sobre a qual ninguém se atreve - ou não deveria, pelo menos - a fazer previsões. Parece-me que o que vier depois será algo de novo. Resta saber em que sentido. Aumentará as solidariedades, o sentido de comunhão e de partilha de responsabilidades e de custos? Se a História se repetir, sim, a um certo nível. O pós-guerra é sempre um período de generosidade, de alívio, de crescimento. Mas a receita anterior já não serve. Temos limites ao crescimento económico, à poluição, ao desbaratar de recursos. Tudo o que nos preocupou durante meses em que agora ninguém pensa, mas que está lá. Por outro lado, tudo pode correr mal. Existe a tentação securitária e autoritária. O Brasil poderá ser um bom "tubo de ensaio". Quando a pandemia atingir o máximo impacto no hemisfério sul, com sistemas de saúde e de proteção social frágeis, a resposta óbvia vai ser o uso da força, mandar os militares para a rua, impor estado de sítio e restringir liberdades e direitos. Para não falar do pânico. Um barril de pólvora, muitos barris de pólvora. E perante o colapso, o Ocidente, entretanto a recuperar, encerrará as portas para tratar das suas feridas internas. A insensibilidade europeia perante a crise migratória de 2015 é um péssimo precedente. Não estaremos longe de construir um novo limes. À medida que escrevo, o panorama ensombra-se. Melhor parar por hoje.

Março 24, 2020

Paulo Pinto

Dia 11, 24 de março. Mais um dia. Portugal tem oficialmente 2362 casos de infeção e 33 mortes. O que se passa no Brasil é um susto, mas tento não me fixar demasiado nas notícias que vão chegando. Gerir as rotinas e assegurar o horizonte próximo são as principais preocupações de quem não é médico nem está na "linha da frente", vive confortavelmente e não está em risco de perder o salário, como é o meu caso. Hoje tive que sair para resolver um pequeno percalço em casa dos meus pais e ir às compras. No Continente há longa fila para entrar. No Aldi, não. Prateleiras vazias, algumas. A lixívia já desapareceu. Imagino o estado em que devem estar tantas mãos por esse país fora. Trânsito, algum, enfim, à escala local. Noto maior agressividade nos condutores, apitam, aceleram, entram a direito nas rotundas, ninguém faz pisca para virar. Menos gente parece significar que "a estrada é minha, vcs vão para casa, que andam aqui a fazer?". Do meu centro recebo um pedido de preenchimento de questionário sobre o andamento dos projetos e avaliação do impacto na sua execução e implementação. Um dos que coordeno está suspenso, o outro, que é a edição de um volume, prossegue. No dia em que isto voltar ao normal vai haver engarrafamentos de muito tipo, o tempo que agora é lento e longo tornar-se-á subitamente fulgurante e curto. Talvez aprendamos, no fim, a geri-lo de forma mais racional e menos bipolar.

Março 23, 2020

Paulo Pinto

Dia 10, 23 de março. Atualização dos números oficiais, 2060 infetados, 23 mortos. O assunto não domina, antes esmaga qualquer portal informativo ou capa de jornal. Não há boas notícias. A situação em Itália e Espanha continua crítica e surgem números nada tranquilizadores sobre outros continentes. Tenho a perceção clara de que estamos em plena tempestade e que a bonança ainda vem longe. A pior sensação é a de incerteza, e sobre tanta coisa. A pandemia abala certezas e coisas que tínhamos por seguras, e sobre as quais nem pensávamos. 

Em casa, reorganizam-se rotinas. Agora somos (novamente) quatro. O recém-chegado ajusta-se como pode, sujeito a uma semi-quarentena interna, a fim de minimizar riscos. Para ele, é um duplo choque, após 3 anos no Dubai. A meio do dia, recebi a notícia-choque: os Emirados Árabes Unidos encerraram os aeroportos. Não há saídas, entradas  ou escalas. Uma sensação de alívio, evidentemente. Foi esta possibilidade que me fez, na noite de sexta-feira, mandar às urtigas a reserva anterior (para dia 27) e antecipar o regresso para domingo, mas estava longe de imaginar que seria tão à justa. Por um fio. 

Amanhã será mais um dia. Um de  cada vez. 

Março 22, 2020

Paulo Pinto

Dia 9. É domingo, 22 de março. 1600 casos, 14 mortos. Dia atípico - se é que tal coisa é possível - com pouca atenção às redes sociais e às notícias. Algo que se repetirá certamente, porque o cansaço e o anestesiamento são inevitáveis perante a monotonia das informações. Os media repetem e repetem conselhos e recomendações, e para quem já as absorveu, o interesse decai rapidamente.

Mas hoje foi um dia atípico por outro motivo, e diametralmente oposto. O meu filho lá chegou do Dubai, após algum nervosismo e inquietação - meus, claro. Voou via British Airways para Londres, com uma inesperada surpresa: o bilhete economy premium deu direito a viagem em Business Class. Para um voo de 8 horas, é algo muito bem-vindo. Impossível fazer check-in online, seguiu para o aeroporto com várias horas de antecedência, mas os temores eram infundados: aeroporto vazio, check-in rápido, embarque sem atrasos. Chegada a Heathrow, espera de várias horas e voo TAP. A nossa companhia, além dos preços exagerados - nem havia overbooking, viajou sem ninguém ao lado - cobrou 13 £ no check-in online e, depois, mais 40 £ por excesso de bagagem. No final, o preço da viagem Londres-Lisboa (em Economy básico, sem direito a uma bolacha sequer) ficou mais caro que o voo Dubai-Londres, upgraded em Business. Ironias.

Fui buscá-lo ao aeroporto, pelas 21 h. Passei o IC 19 e a 2ª Circular praticamente vazias. Até a "rotunda do relógio" estava deserta, coisa espantosa. Já o resto foi igualmente estranho, e pela negativa. Acessos ao aeroporto vazios. Entro no parque subterrâneo, que está aberto. Quase vazio. Estaciono - sempre aquela estranheza e dificuldade em escolher um lugar num parque deserto - mas quando me dirijo aos acessos, estão encerrados. Saio a pé pelo acesso automóvel, contorno tudo e dirijo-me à "Partidas". Não me deixam entrar. E ninguém me explica porque é que, se o acesso do parque ao interior está encerrado, não o fecham. Pagar um parque que não funciona. Regresso ao parque, saio com o carro e dirijo-me - seguindo as indicações - às "Chegadas". Praça de táxi vazia, umas poucas pessoas. E encontrar o meu filho? Lá dentro, mandaram-no sair pelas "Partidas" onde eu estive uns minutos antes e eu à espera no outro lado, depois de dar voltas e de pagar inutilmente um estacionamento. Haja saúde, haja paciência.

Tenho uma familiar em Jakarta, em Erasmus. Decidiu esperar, por recomendação da embaixada. Desaconselho vivamente essa possibilidade, porque ao meu filho, depois de a Emirates cancelar as ligações para Lisboa, recomendaram, por duas vezes, que apanhasse um avião para Luanda. Há novidades e restrições todos os dias, e todas no mesmo sentido. Hoje é difícil regressar, amanhã  será penoso, depois de amanhã, quem sabe como será. Deduzo que quando a pandemia chegar em força à Indonésia, será muito mais difícil ela sair de lá.

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